Apresentacao
A descolonizacao portuguesa foi um processo acelerado e muitas vezes caotico que teve inicio logo apos a Revolucao dos Cravos em 25 de abril de 1974. O novo governo portugues, liderado pelo Movimento das Forcas Armadas (MFA), comprometeu-se a por fim imediato a guerra colonial que durava ha mais de 13 anos, reconhecendo o direito a autodeterminacao dos povos africanos.
Em apenas 18 meses apos o 25 de Abril, Portugal concedeu a independencia a cinco paises africanos. Este processo, ao contrario das descolonizacoes francesa e britanica que se prolongaram por decadas, foi extraordinariamente rapido. O Acordo do Alvor (janeiro de 1975) para Angola e o Acordo de Lusaka (setembro de 1974) para Mocambique marcaram os instrumentos juridicos desta transferencia de poder.
O processo foi marcado por enormes dificuldades: a instabilidade politica em Portugal durante o PREC (Processo Revolucionario em Curso), a fuga em massa de colonos portugueses, o inicio de guerras civis nas ex-colonias e a dificil negociacao entre os diferentes movimentos de libertacao.
Cinco paises africanos tornaram-se independentes na sequencia do 25 de Abril: Angola (11 de novembro de 1975), Mocambique (25 de junho de 1975), Guine-Bissau (reconhecida em setembro de 1974), Cabo Verde (5 de julho de 1975) e Sao Tome e Principe (12 de julho de 1975). Cada um destes paises tinha os seus proprios movimentos de libertacao, com diferentes ideologias e apoios internacionais.
Angola foi o caso mais complexo, com tres movimentos rivais - MPLA, FNLA e UNITA - que imediatamente entraram em guerra civil apos a independencia. Mocambique ficou sob controle da FRELIMO, que adoptou um modelo socialista. A Guine-Bissau foi pioneira, tendo o PAIGC declarado unilateralmente a independencia ja em 1973.
Fora de Africa, Timor-Leste foi invadido pela Indonesia em dezembro de 1975, enquanto Macau permaneceu sob administracao portuguesa ate 1999. A independencia destes territorios representou o fim do maior e mais duradouro imperio colonial europeu, que durava ha mais de 500 anos.
A descolonizacao trouxe profundas transformacoes a Portugal. A mais imediata foi o regresso de mais de 470 mil portugueses das ex-colonias africanas, ficando conhecidos como 'retornados'. A maioria chegou em 1975, muitos com apenas a roupa do corpo, tendo perdido tudo em Africa. O Estado portugues improvisou alojamentos em hoteis, cadeias desactivadas e instalacoes temporarias, gerando uma crise humanitaria sem precedentes.
Do ponto de vista economico, Portugal perdeu mercados coloniais cativos e fontes de materias-primas. No entanto, paradoxalmente, os retornados - muitos com alta qualificacao - contribuiram para modernizar a economia portuguesa.
A longo prazo, a descolonizacao forcou Portugal a reorientar-se para a Europa. Em 1986, Portugal aderiu a Comunidade Economica Europeia, marcando uma viragem definitiva. A democracia estabeleceu-se com a Constituicao de 1976. A lusofonia tornou-se um legado cultural positivo, com a criacao da CPLP em 1996.
Portugal enfrentou guerras de libertacao simultaneas em Angola, Guine-Bissau e Mocambique, num conflito que duraria 13 anos.
O MFA derruba a ditadura do Estado Novo. Os soldados colocam cravos nos canos das espingardas. Portugal acorda livre.
Portugal reconhece formalmente a independencia da Guine-Bissau, o primeiro territorio a tornar-se independente.
Mocambique torna-se independente a 25 de junho de 1975, sob lideranca da FRELIMO de Samora Machel.
Cabo Verde (5 de julho) e Sao Tome e Principe (12 de julho) proclamam a independencia em transicoes relativamente pacificas.
Angola torna-se independente a 11 de novembro, mas mergulha imediatamente numa devastadora guerra civil entre MPLA, FNLA e UNITA.
Portugal aprova a sua nova Constituicao democratica, consolidando as liberdades conquistadas com o 25 de Abril.
Portugal adere a Comunidade Economica Europeia, completando a reorientacao estrategica do pais para a Europa.
O armamento que marcou 13 anos de guerra colonial em Africa, finalmente silenciado pelo 25 de Abril.
O cravo vermelho, simbolo eterno da Revolucao dos Cravos - a flor que venceu as armas e libertou um povo.
Os capitaes de abril e os lideres que tornaram possivel a liberdade - a sua memoria permanece imortal.
General que liderou a transicao inicial, defendendo uma solucao federativa para as colonias antes de ser superado pelos acontecimentos.
Lider da FRELIMO que conduziu Mocambique a independencia e se tornou o primeiro presidente do pais independente.
Fundador do PAIGC, assassinado em 1973, foi o grande teorico da luta de libertacao africana contra o colonialismo portugues.
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